No início do século XX, o atual bairro do Arruda era conhecido como Estrada Nova e, até a chegada das primeiras maxambombas (pequenas locomotivas em que os maquinistas trabalhavam numa cabine sem coberta), era um lugar sem nenhum atrativo. As casas, em sua maioria, eram de palha e as ruas tortas e de nomes estranhos: Sete Pecados, Urubu, Patitas, Beco do Chamego, entre outros. Foi por causa das maxambombas e do progresso trazido por elas que o português Manuel Inácio de Arruda, o “seu Arruda”, instalou uma quitanda na Estrada Nova, logo transformada em mercearia, para atender aos inúmeros fregueses. Tornou-se tão conhecido que o nome do antigo bairro mudou para o sobrenome do negociante português: Arruda. À época, em volta da estação das maxambombas, localizada ao lado do atual estádio do Santa Cruz Futebol Clube, foi criada uma feira aos domingos e vários estabelecimentos comerciais surgiram. Para o divertimento da população apareceram o Teatro do Melado, que apresentava dramas, fandangos, pastoris, e destes, os mais conhecidos eram os dos velhos "Canela de Aço", "Fuzarca", "Baú e Pimenta"; e muitos circos do tipo “tomara que não chova”, que traziam atrações como os "palhaços de cara suja" que faziam convites à população para o espetáculo, ora utilizando pernas de pau ora montados em jumentos.
O bairro também ficou muito conhecido pela preferência de seu povo pelo xangô (o lugar e o conjunto de cerimônias religiosas afro-brasileiras). Existiam muitos terreiros e os mais conhecidos eram o de Zefinha Guedes e o de Anselmo. Entre as festas populares, o Carnaval e o Natal eram muito animados. Antecipando os festejos momescos, o bairro do Arruda já ficava em alvoroço a partir do mês de setembro por causa dos ensaios dos vários clubes, blocos, troças, caboclinhos, ursos e maracatus. Tinha como blocos ou agremiações carnavalescas de destaque: Flor de Lira, Camponeses, O Bagaço é Meu, Eco da Mocidade e Cachorro Lambe Tudo. Na festa do Natal havia mamulengo, bumba-meu-boi, fandango e retreta de bandas musicais, além da tradicional queima da lapinha. Quando, em 1922, as maxambombas foram substituídas pelo bonde elétrico, o bairro já possuía dois cinemas, o Guanabara e o Arruda, que foi incendiado quando da Revolução de 1930. Da década de 1920 até a de 1960 o bairro, em franco desenvolvimento, teve uma grande concentração de casas comerciais, consultórios médicos e inúmeras modificações na estrutura social e na configuração do espaço urbano. Entretanto, a sua infra-estrutura urbana apresentava problemas comuns à maioria dos bairros recifenses no que diz respeito à necessidade de ruas asfaltadas e de saneamento. O grande destaque do bairro é o Estádio José do Rego Maciel, do time Santa Cruz Futebol Clube, conhecido nacionalmente como “Mundão do Arruda”. Embora não tenha sido criado no bairro do Arruda (sua fundação data de 3 de fevereiro de 1914, no Pátio de Santa Cruz, bairro da Boa Vista), ali instalou-se, em 1937, e foi inaugurado em 4 de junho de 1972. EDUCAÇÃO - O bairro do Arruda, além de outras unidades de ensino privado, tem como opção de ensino de qualidade o Complexo Educacional Modelo, que ao longo dos seus 27 anos, vem cumprindo seu papel de educar os jovens do bairro e áreas adjacências, do ensino infantil ao ensino superior, através da parceria com o sistema EADCON e o IESD. Fundado em 30 de outubro de 1983, a instituição teve início de suas atividades, sob a direção da Sra. Marli Moura da Silva, no bairro de Tamarineira (Av. Norte), com os cursos de educação infantil a 4.ª série, nos turnos da manhã e tarde. Em 1992 o Colégio Modelo passar contar com turmas da 5.ª a 8.ª série, funcionando em dois endereços: na Rua Cônego Barata e o anexo na Rua Ramiz Galvão (1993). Em 2000, de acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do bairro do Arruda era de 13.434 habitantes. Fonte: Virginia Barbosa - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco Crédito da foto: Cine Olympia, bairro do Arruda, Recife - Circa 1955 - do acervo de Josias Saraiva.
Ped
ro Teófilo Batista (1929-1989), foi um homem inquieto com as coisas, sempre estava a aprender e desenvolver várias atividades. Em sua vida foi inventor, cineasta, aviador, arquiteto, desenhista, cenógrafo, fotógrafo e engenheiro, entre outras especialidades, projetou aviões, construiu um navio, criou uma sociedade religiosa e chegou a dirigir dois longas-metragens, nunca exibidos.
No ano de 1967, o homem de mil e uma atividades, Pedro Teófilo Batista, fundou na cidade do Recife a empresa Nacional Filmes do Brasil, para espanto de muitos daquela época era um estúdio de cinema que naquele ano produziu o primeiro longa-metragem do cineasta, "A virgem dos lábios de mel", que nunca foi lançado por falta de dinheiro, segundo seu neto Josias. Dois anos após (em 1969), para conseguir mais apoio financeiro e tentar concluir o projeto, ele dirigiu mais um longa, sobre o passado do Brasil, chamado "O gigante que desperta", que também teve o mesmo destino, não conseguiu finalizar.
Para realizar as filmagens de "O gigante que desperta", Pedro Teófilo chegou a construir, em tamanho natural, a réplica de uma caravela portuguesa de madeira.
O neto de Pedro Teófilo, Josias, em matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 19/06 (quinta), conseguiu reunir diversos documentos que comprovam sua investigação, em 1955, Teófilo também projetou, fundou e dirigiu o extinto Cinema Olympia, no bairro do Arruda, onde foram exibidos clássicos como Cleópatra, com Elizabeth Taylor, e Os pássaros, de Alfred Hitchcock.
Entre os inúmeros documentos encontrados, há pelo menos três roteiros de longas-metragens não filmados, com marcações técnicas de câmera. Há uma adaptação para o cinema de Fausto (Goethe), um baseado em "A ilha perdida" (livro de Maria José Dupré) e outro que se passa na Rússia, sem nenhuma cena ambientada no Brasil. "Ele era muito universalista e espiritualista", comenta Josias, que tem uma tia chamada Aelita, cujo nome o avô escolheu inspirado pelo filme de ficção científica soviético "Aelita: a rainha de Marte".
Com o slogan "Futuro da Nova Geração" a direção sempre primou pela qualidade de ensino e em seu quadro de profissionais sempre teve a preocupação de manter professores qualificados. Para divulgar a instituição de ensino a direção apostava nos desfiles cívicos - como forma de propaganda - com temas ligados a fatos e personagens históricos, sempre acompanhados de banda marcial.
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